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Seminário Políticas Públicas de Meio Ambiente para o RS - 
O desmonte dos órgãos ambientais do Estado. - 21.05.2008

Nesta terça, dia 20 de maio, ocorreu o Seminário Políticas Públicas de Meio Ambiente no RS. O evento foi fruto de uma série de reuniões que a Adema, instituição que congrega as entidades em defesa do meio ambiente do RS, juntamente com o Semapi Sindicato, estão promovendo.

Os encontros estão sendo realizados sistematicamente, uma assembléia permanente com o objetivo de tratar das questões referentes à gestão ambiental, especificamente políticas públicas de meio ambiente nas diferentes esferas governamentais.

Nesta edição o tema em debate foi o desmonte dos órgãos ambientais do Estado - RS.

Na ocasião os painelistas convidados expuseram suas visões e entendimento sobre a atual situação das instituições gestoras da política de meio ambiente do Estado.

O evento contou com presença de mais de 80 participantes, dentre funcionários públicos, universitários, militantes ambientalistas, pesquisadores, jornalistas, instituições de ensino e pesquisa, instituições da sociedade civil e agentes políticos. Durante mais de 3 horas de debate, apresentações e exposições o sentimento que se tem é que a sociedade está carente de verdades. Isto pode ser verificado nas falas dos painelistas e em todas as manifestações.

A abertura foi feita pelo anfitrião Antenor Pacheco e logo Conceição Carrion, representando a Apedema apresentou como seria a dinâmica de trabalho do encontro. O avanço na metodologia de trabalho está na dinâmica da plenária e forma em que são procedidos as propostas e encaminhamentos.

   

Dentre os convidados desta edição estavam presentes:

   

Najar Tubino – começou sua fala com enfoque geopolítico e a dinâmica mercadológicas das empresas de celulose.

 

“As papeleiras escolheram o ConeSul como novo campo de exploração e o que está sendo feito aqui já foi feito no mundo todo”.

 

O jornalista destacou que as notícias e o quadro que se desenha da metade sul do Estado, passa uma imagem de miséria absoluta, uma grande favela horizontal, e que isto é uma grande mentira.

 

“Fazem mais de 30 anos que não se discute alternativas para a região, o que é uma piada, um emburrecimento, não existia interesse, ou existiam interesses de grupos específicos em deixar as coisas como estavam, agora parece que a única escolha é a celulose”.

 

Tubino ainda faz uma dura crítica a mídia e a atuação do setor da comunicação:

 

“Existe uma linguagem única na mídia estadual... na ditadura, embora existisse toda repressão, existiam posições bem definidas, posições diferentes, aqui parece que é um consenso esta questão, o caminho único, pensamento único.”

 

Paulo Brack – traçou a trajetória das políticas de meio ambiente no Estado, salientando que o desmonte é apenas um sintoma do processo e entendimento que o governo tem do desenvolvimento.

Brack, sempre em suas intervenções dispara sobre a unificação do pensamento ortodoxo sobre o que é desenvolvimento para o Estado. Sobre o desprezo estatal pelas variáveis ambientais nas atuais políticas públicas estaduais e federais.

 

“A Secretaria de meio Ambiente já foi utilizada como premio de consolação para deputados não eleitos pelo PSDB, durante governo Rigotto, agora se agrava com o PSDB no poder... verificamos neste governo uma estratégia específica de fragilizar, enfraquecer a máquina administrativa, através da derrubada do ZAS, intimidação de técnicos e funcionários de carreira, troca de secretários... e uma série de irregularidades.”

 

Dirce Suerteguaray – destacou que a associação entre desertificação e a alternativa proposta na época, o eucalipto, já era o início do que se apresenta hoje.

 

“No Sudeste do Estado, está questão vem sendo colocada/imposta desde a década de 70.”

 

A geógrafa destaca a perigosa relação estabelecida entre o capital privado, o poder executivo e o legislativo.

 

“A força do capital privado associada a políticos estaduais e federais estão propondo a redução da faixa de fronteira.”

 

 

Quanto à forma com que o governo está lidando e trabalhando administrativamente a questão, a pesquisadora é clara:

 

“Ocorre o desmonte que promove um descrédito dos técnicos, com efeitos e resultados na produção científica produzida aqui no Estado.”

 

E concluiu:

 

“Somente com os dados de determinadas regiões onde o plantio inicio a algumas décadas já dá para ter uma visão dos males do eucalipto.”

 

A fala de professora ressalta o sentimento que se sobre a relação política que ocorre entre Estado atual e setor de celulose. Este é um exemplo concreto, atual, de como o capital sujo ainda pode barganhar sobre o perfil ético dos agentes políticos. Quando existem interesses pessoais maiores que os coletivos.

 

Althem Teixeira – como de costume a fala do professor, foi ácida, descontraída e cheia de dados e associações que demonstram a intenção explicita das empresas de celulose em tomar de assalto o Estado.

Professor anatomista, ele propõe que nossas ações devem ser como intervenções cirúrgicas, precisas e de solução. Althen é partidário da linha de integração e unidade institucional, fortalecimento da luta de resistência in loco, interiorização do debate.

 

“Temos que ir até lá, trazer e levar novas informações, ver outra realidade... esclarecer pra população essa quantidade de mentiras faladas por essa turma” referindo-se a setores da mídia e imprensa que reproduzem o discurso único de seus anunciantes.

 

De acordo com protocolo, os agentes políticos presentes foram convidados a fazer uma breve intervenção para a abertura da plenária.

   

Ivan Duarte – foi enfático ao afirmar que devemos por diferenças de lado e enfrentar este “inimigo” de forma conjunta, aliados, fortes.

 

“O que nos unifica nesta luta?” provocou o vereador da cidade de Pelotas.

 

E foi adiante: “Temos que retomar as lutas do movimento ambientalista histórico.”

   

Elvino Bohass – lastimou que enquanto o mundo discute a redução da oferta de alimentos e suba dos preços, nós aqui no Estado tenhamos que conviver com políticas públicas que incentivam a plantação de eucaliptos.

 

“Isto parece um compromisso da governadora com as empresas” destacou o Deputado Estadual.

   

Ao final do encontro uma série de encaminhamentos foram apresentados e acolhidos, com o objetivo de dar encaminhamento, estudar possibilidades e identificar demandas envolvidas, traçar as estratégias, buscar efetivar a ação.

E pagar mais fôlego para o próximo embate.

Adelantes paisanos.  

 

 

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