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Compra da Aracruz pela Votorantim concentra mercado 
Agencia Chasque

 

Compra de 28% das ações fará com que Votorantim controle Aracruz. Para ambientalista Felipe Amaral, fusão das papeleiras prejudica ainda mais agricultores no Rio Grande do Sul.

 

Porto Alegre (RS) – A Votorantim Celulose e Papel está negociando a compra de 28% das ações da Aracruz Celulose. Com isso, a Votorantim, que já é acionista, passa a controlar a papeleira com 56% das ações. Caso seja efetuada, o valor da aquisição somará R$ 2,71 bilhões.

Para o ambientalista do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente, Felipe Amaral, a parceria entre as papeleiras vai favorecer apenas o setor da celulose no Estado e a Votorantim, que está se fortalecendo nacionalmente. A empresa já adquiriu ações de papeleiras de outros estados, como a Suzano, Klabin e Ripasa.

“Para o mercado isso é terrível. Essa aquisição da Votorantim contempla o que a gente tem falado. Esses projetos de silvicultura que o Rio Grande do Sul pretende implantar não são projetos que vão trazer grande retorno para a população, pois beneficiam apenas as empresas”, diz.

Amaral afirma que essa compra serve para a população abrir os olhos e exigir do governo investimentos reais em outros setores agrícolas e da indústria que gerem menos impactos ambientais.

Ele também alerta que quem sai perdendo com a fusão das papeleiras são os pequenos agricultores. Com o monopólio, o produtor fica na mão de uma só empresa, sem garantia de preço. Ainda há o problema da monocultura de pínus e eucalipto, em que o agricultor deixa de plantar alimentos.

“Além dos impactos sociais e ambientais, agora vamos ter um impacto econômico diretamente relacionado ao trabalho, a questão da cadeia produtiva, da garantia dos preços, que isso ninguém nunca falou, qual é a garantia de preço para o produtor que está entrando nessa da silvicultura, quem garante para ele o preço daqui sete anos, ainda mais com o mercado unificado na mão de um a só empresa”, diz.

No segundo trimestre deste ano, a Votorantim registrou lucro líquido de R$ 135 milhões, queda de 35% em relação ao mesmo período do ano passado. A empresa tem como meta ficar entre as três maiores empresas globais de celulose do mercado até 2012.

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